Postado por Fabiano Venancio - Frederico Paes (MDB) pode ser empossado como prefeito de Campos, no início de abril, pelos próximos dois anos e nove meses e passar a gerir um orçamento de R$ 2,8 bilhões/ano, visto que o atual prefeito Wladimir Garotinho (PP) já tem feito aparições em encontros e solenidades com declarações em tom emotivo e de despedida, devendo mesmo renunciar ao cargo para disputar um mandato de deputado federal nas eleições de outubro. O Campos 24 Horas ouviu fontes categorizadas da área política a respeito de toda pressão que espera o atual vice-prefeito nos campos administrativo e político, como na composição do secretariado e nas indicações políticas e técnicas para diversos cargos da Prefeitura. O que o novo gestor fará para manter as finanças municipais equilibradas (Wladimir conseguiu colocá-las em dia após o governo Diniz) e preparar um novo ciclo de desenvolvimento? Como ele reagirá à demandas populares listadas pelo Campos 24 Horas e do funcionalismo, além da relação com os vereadores para garantir governabilidade? A matéria também mostra um resumo da trajetória de Frederico, um empresário e dirigente de instituições importantes, que pode passar a governar o município considerado polo do Norte do estado do Rio. E um detalhe curioso sobre a vida particular de Frederico levantado pela reportagem. Ele tem vínculos antigos com a política, através de sua família; o pai foi vereador e a mãe Secretária de Educação. E, por final, como será, a partir de abril, sua relação com Wladimir, que apostou em seu nome para ser vice-prefeito em 2020. Por outro lado, vários segmentos do município, que agregam diferentes atores e interesses, apostam que o atual vice-prefeito pode se firmar como gestor público, liderança política e tem tudo para fazer a conexão do setor público com o setor produtivo, além de ter em sua agenda prioritária políticas públicas voltadas ao transporte, saúde, atração de investimentos e funcionalismo. Um conjunto de entregas terá relevo no mandato de dois anos e nove meses do vice-prefeito. Entre as maiores demandas da população, listamos: os problemas da mobilidade urbana, incluindo a irregularidade nos horários e mais ônibus nas linhas, assim como a conclusão dos terminais de integração do transporte público; avançar num tratamento mais humanizado na Saúde. OBRAS PARADAS, ARTICULAÇÃO E ARRECADAÇÃO - Frederico Paes vai precisar também se valer de seu espírito conciliador e capacidade de diálogo para reforçar as pontes com o governo estadual visando a retomada de algumas obras interrompidas, como a do Bairro Legal, na Vila Manhães, entre outras, assim como abrir portas de Ministérios e outros gabinetes em Brasília na busca de recursos. Inclusive, nesta segunda-feira (/09/03) o barril do petróleo saltou para 120 dólares no mercado global diante do agravamento do conflito e as dificuldades de tráfego naval com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde é transportada boa parte da produção naquela região. RELAÇÃO COM OS VEREADORES - No plano da política local, com bom trânsito na Câmara Municipal, Frederico deve transitar em céu de brigadeiro, pelo menos nos primeiros meses. No Legislativo, o governo conta com 19 dos 25 vereadores. Ainda assim, é comum ao gestor administrar eventuais indisposições e harmonizar interesses para manter a coesão e unidade da base de apoio, assim como sustentar a governabilidade. PERFIL DE FREDERICO - A trajetória Frederico Paes, 56 anos, casado com Carla Paes e pai de três filhos Frederico Junior, Pedro Henrique e Francine, engenheiro agrônomo e produtor rural, se confunde com a Coagro, quando liderou um movimento de criação da cooperativa com um pequeno grupo de fornecedores de cana. Hoje, já são milhares de cooperados. Foi também presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Serviço de Saúde da Região Norte Fluminense (Sindhnorte) e integrante da diretoria da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan). Além de ser integrante do grupo político liderado por Wladimir, Frederico tem ligação política com a família Reis, de Duque de Caxias. “Está faltando representação de Campos em Brasília. Alguém que bata na mesa e tire da gaveta nossas demandas que estão lá paradas, como a questão do aeroporto, do projeto que fiz de mudança da classificação climática, das obras da Ceascam, que tem emenda aprovada e não saiu ainda do papel, enfim. Se for para servir melhor à minha cidade, eu irei para a disputa”, declarou Wladimir em recente solenidade.