Consumir alimentos com alguns corantes ou conservantes está associado a um risco maior de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão, segundo três estudos franceses publicados nesta quinta-feira (21), que apresentam mais dados sobre os efeitos dos alimentos ultraprocessados. Os estudos foram coordenados por Sanam Shah e Anaïs Hasenböhler, sob supervisão da epidemiologista Mathilde Touvier, diretora de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm). Os resultados foram publicados nas revistas Diabetes Care, European Journal of Epidemiology e European Heart Journal, com o objetivo de "orientar as políticas públicas", segundo um comunicado do Inserm. Pela primeira vez, as pesquisas confirmaram associações entre o consumo de corantes alimentares e um risco maior de diabetes tipo 2 e de câncer; e entre o consumo de conservantes e o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares. Os maiores consumidores de corantes alimentares têm, em comparação com as pessoas menos expostas, um risco mais elevado de sofrer de diabetes tipo 2 (+38%), câncer (+14%) e câncer de mama (+21% e até +32% em mulheres após a menopausa). Por sua vez, os maiores consumidores de conservantes – principalmente sorbato de potássio E202 e ácido cítrico E330 – têm um risco 24% maior de sofrer de hipertensão do que as pessoas menos expostas, além de um risco 16% maior de desenvolver doenças cardiovasculares. A ONG Foodwatch afirmou que os estudos "devem provocar um choque político" e lembrou que há anos exige a proibição de nitritos, devido à relação "claramente demonstrada" com o câncer de cólon, e também do aspartame, outro possível cancerígeno. Em janeiro, dois estudos da mesma equipe demonstraram uma associação entre o consumo de conservantes e uma maior incidência de câncer e de diabetes tipo 2.