Campos 24 Horas - O município de Campos dos Goytacazes sediou o I Simpósio Norte e Noroeste de Controle do Tabagismo. O encontro, voltado a toda a população, aconteceu nesta terça-feira (16), no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro. O evento destacou a urgência de combater o fumo, diante de dados preocupantes: entre 2021 e 2025, a cidade registrou 257 óbitos por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e 55 por enfisema pulmonar. Atualmente, o Programa Municipal de Controle do Tabagismo já presta assistência a 1.400 pacientes que buscam ajuda para parar de fumar. “Este simpósio tem como objetivo principal estabelecer parcerias estratégicas nas regiões Norte e Noroeste. É a nossa primeira edição, e está sendo gratificante realizar um evento focado na conscientização do paciente sobre os malefícios do tabagismo, que é um fator de risco determinante para condições como o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), o diabetes mellitus e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, além da asma. Nosso propósito é promover a redução do consumo do tabagismo e dos cigarros eletrônicos, visando, consequentemente, a diminuição das taxas de internação em nosso município decorrentes das complicações causadas pelo hábito de fumar”, apontou. Representando o secretário municipal de Saúde, Paulo Hirano, a diretora de Atenção Primária à Saúde (APS), Ana Carolina Xavier, destacou a importância do simpósio para o fortalecimento de redes intermunicipais de saúde. “Acredito que políticas públicas se fazem exatamente assim: pensando em rede, de maneira intermunicipal, trocando experiências e realidades para construir soluções coletivas. Reforço a importância da Atenção Primária à Saúde neste debate. A APS tem ganhado cada vez mais destaque por ser um local estratégico para a prevenção de doenças e a promoção da saúde. Falar sobre tabagismo é, fundamentalmente, falar sobre isso. Precisamos entender o tabagismo como uma questão de saúde pública, considerando os impactos das dependências química, psicológica e social”, reiterou. Diretora do departamento de monitoramento das Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT), Rossana Espinoza observa a evolução das políticas públicas de saúde desde 2006, reforçando a necessidade de uma atuação coletiva e integrada entre órgãos e sociedade para fortalecer a prevenção. “Desde 1989, o Brasil monitora a prevalência do tabagismo. A partir de 2006, o Ministério da Saúde implantou a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde). Em 2020, em Campos, registramos uma prevalência de quase 28 mil tabagistas com idade superior a 18 anos. Neste simpósio, buscaremos atualizações essenciais, fruto de um trabalho sério e coletivo voltado ao bem-estar futuro. Esta construção é necessariamente colaborativa, pois a vigilância em saúde é uma prática que exige integração. Por meio desse alinhamento, promovemos a prevenção das doenças crônicas, mantendo o controle do tabagismo como foco central”, apontou. A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretária de Saúde, Silvia Martins, reforça a importância do controle do tabagismo como estratégia fundamental para reduzir doenças crônicas não transmissíveis. “O tabagismo, por ser um dos principais fatores determinantes para doenças cardiovasculares e neoplasias, exige um debate constante e o engajamento direto dos profissionais de saúde. Portanto, cabe a nós compreender a dimensão desse processo e atuar de forma estratégica, oferecendo o suporte necessário para que o paciente supere esse vício, previne complicações futuras e, consequentemente, alcance uma melhor qualidade de vida”, avaliou. VALE A PENA PARAR DE FUMAR