Postado por Fabiano Venancio - A disparada do preço do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã vai gerar um crescimento expressivo nos repasses mensais de royalties e de remessas trimestrais em participações especiais e pode ter um efeito colateral positivo para os cofres das prefeituras, estados e regiões produtores de petróleo, como Campos e outros Norte Fluminense. E Campos terá a gestão Frederico Paes a partir do dia 2 de abril na Prefeitura, quando muito provavelmente, como o Campos 24 Horas anunciou em primeira mão (AQUI), o prefeito Wladimir renunciará ao cargo para concorrer na eleição de outubro. O Campos 24 Horas mostra as projeções de um especialista na área de petróleo e um estudo do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) sobre os royalties recebidos pelas Prefeitura e o governo estadual. O CBIE elaborou estimativas para quatro cenários de preço médio do Brent em 2026. No cenário mais conservador, adotado pelo Plano de Negócios mais recente da Petrobras, o barril ficaria em US$ 63. Nessa hipótese, as participações governamentais totalizariam R$ 101,25 bilhões, crescimento de apenas 1% em relação a 2025, sendo R$ 62,72 bilhões em royalties e R$ 37,06 bilhões em participações especiais. Com o Brent a US$ 70 o barril, a arrecadação subiria 12%, para R$ 112,50 bilhões, com R$ 69,69 bilhões em royalties e R$ 41,18 bilhões em participações especiais. No cenário de US$ 80, o salto seria de 28%, elevando o total para R$ 128,57 bilhões, divididos entre R$ 79,64 bilhões em royalties e R$ 47,07 bilhões em participações especiais. No topo da escala, com o Brent médio a US$ 100 o barril, as participações governamentais chegariam a R$ 160,72 bilhões, alta de 60% sobre 2025. Nesse caso, os royalties alcançariam R$ 99,55 bilhões e as participações especiais, R$ 58,83 bilhões. O professor Helder Queiroz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), projeta que “a guerra está longe de terminar e o cenário ainda pode piorar”. Queiroz frisou ainda que há países que são grandes consumidores e de elevado grau de desenvolvimento que possuem volume limitado de reservas estratégicas, como é o caso do Japão. As projeções partem da arrecadação efetiva de participações governamentais em 2025, divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As demais variáveis foram mantidas constantes: taxa de câmbio de R$ 5,42 por dólar, conforme o Boletim Focus do Banco Central de 27 de fevereiro, e estimativa de produção nacional de petróleo retirada do Plano Decenal de Energia 2035, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), atualmente em consulta pública. Municípios e estados como beneficiários diretos - Os royalties e as participações especiais são distribuídos entre União, estados e municípios produtores ou confrontantes com as áreas de exploração. Regiões como o Norte Fluminense, o litoral do Espírito Santo e municípios do Rio Grande do Norte estão entre os principais receptores dessas receitas, que financiam parcelas relevantes dos orçamentos locais. Brent acima de US$ 100 já é realidade no mercado - O cenário mais otimista do CBIE deixou de ser hipotético. O contrato de maio do Brent já acumula alta superior a 48% desde o início da guerra e era negociado ao redor de US$ 106 o barril nesta semana. Se o conflito no Estreito de Ormuz se prolongar, a média anual do petróleo pode se aproximar ou superar a marca de US$ 100, tornando o cenário de maior arrecadação cada vez mais plausível para municípios e estados brasileiros. No cenário projetado, a União arrecadaria R$ 57,4 bilhões, o que representa um acréscimo de R$ 21,5 bilhões em relação ao ano anterior. Os governos estaduais teriam aumento de R$ 18 bilhões nas receitas, enquanto os municípios somariam R$ 38,8 bilhões, com alta de R$ 14,6 bilhões. O Rio de Janeiro concentraria a maior fatia entre os estados, com arrecadação estimada em R$ 41,8 bilhões em 2026, R$ 15,7 bilhões a mais do que no ano passado.